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Tomar é ponto de paragem obrigatório na rota dos Templários. Todo o concelho pressente ainda, em cada parede de uma igreja ou convento, a passagem da Ordem do Templo e das suas indeléveis marcas. Dir-se-ia que Tomar é uma cidade museu. Não será antes, como refere José Hermano Saraiva, “um grande estaleiro que a História nos legou, e que espera de nós a instalação de um museu, como a bela moldura espera o quadro?”. Frase tão subjectiva quão elogiosa, e que é complementada pela decisão final do mesmo autor: “Tomar não é para todos. É só para quem a merece”. A história de Tomar começa com os romanos, ou mesmo antes. O território do actual concelho pertencia ao núcleo originário de Sellium, cidade que se situava na margem esquerda do rio e onde se agruparam, mais tarde, as populações romano-godas e mulçumanas. Por Sellium, passava a via que ligava Olisipo a Bracara, que se constituía no mais importante itinerário de ligação entre o norte e o sul do País.
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Região de denso povoamento, disperso por uma área economicamente vasta, centrada em Lisboa, e que atinge Santarém, Tomar e Torres Vedras. As terras eram férteis, irrigadas pelos estuários do Tejo e do Sado, e uma generosa fonte alimentar. Afinal, as mesmas condições que já tinham permitido a ocupação humana desde 10 mil anos a. C.
A presença muçulmana em Tomar é atestada pela sobrevivência de numerosos topónimos em todo o concelho e pelos engenhos hidráulicos introduzidos na agricultura (açudes de estacaria, roda, nora). A coexistência pacífica entre cristãos e mulçumanos durou até ao século X e permitiu o forte desenvolvimento de toda a região.
Em 1147, D. Afonso Henriques conquista a cidade aos mouros, doando-a aos Templários em 1159. São desse período as raízes históricas do actual concelho. A instalação dos Templários começou pela edificação de Santa Maria, mais tarde Olival. Ali tiveram os freires cavaleiros o seu primeiro assentamento. Os colonos fixaram-se e aqueles começaram a construír a fortaleza e o templo, a desbravar terrenos e a cobri-los com grandes manchas de olival.
Com os Templários, é um programa urbanístico que tenuemente se inicia. Nascem alguns arruamentos, cresce o casario e a população. Constroem-se hospitais, albergarias e capelas. Em Junho de 1174, D. Gualdim Pais concede a segunda carta de foral à vila de Tomar, o primeiro fora em 1162. Mesmo com o fim da Ordem, por razões internacionais, a sua presença é notada ainda hoje, até porque condicionou todo o futuro da povoação.
Mais do que a estátua de Gualdim Pais, que terá morrido no Olival, é o velho castelo e a “charola” do Convento de Cristo que marcam o passado. Mandado edificar em 1160, na mesma altura da fundação da cidade, o castelo suportou durante seis dias, em 1190, o cerco das tropas de Almançor. A “charola” é a parte mais antiga de um edifício classificado como património mundial pela UNESCO. De finais do século XII, tem todas as características de uma igreja-fortaleza de inspiração romântico-Bizantina.
![]() Ao programa urbanístico do templo, vai suceder-lhe a Ordem de Cristo e o arranque urbanístico da cidade, cuja população se espalha já para fora dos seus muros torrejados. Sob a administração do infante D. Henrique, começa o período das obras grandiosas, que torna Tomar num autêntico “museu de arquitectura”, no dizer de Gustavo Matos Sequeira.
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Em ligação directa com os Descobrimentos, o infante constrói na cidade o seu paço e autoriza a edificação da sinagoga judaica, em meados do século XV. À Ordem de Cristo, seguiu-se o período manuelino, depois o joanino e o filipino. Tomar, tão favorecida pela coroa, adquire aí a sua feição actual. Apesar das destruições, iria conseguir resistir a tudo.
A partir da época contemporânea, uma figura merece um olhar de relance. D. Maria II elevou-a a cidade, mas deu-a em título honorífico de conde de Tomar a seu protegido, o ministro Costa Cabral. Desenvolveu-se nesta altura a indústria de papel e de fiação, seguindo a tradição industrial que já vinha do século XV. As águas do rio Nabão forneciam com os seus açudes a necessária força motriz.
Actualmente, a sede do concelho é uma excepção em relação às suas freguesias. Apresenta, desde logo, dois aglomerados coabitantes: a parte histórica da cidade, com seus monumentos, a integrar-se com a vontade do quotidiano de uma população que tem na Festa dos Tabuleiros o seu momento de fuga.
No resto do concelho, a vida é um pouco diferente. Tomar é constituído por dezasseis freguesias essencialmente rurais, mas muito diferentes entre si. Uma terra de contrastes, onde a hospitalidade das suas gentes é factor comum. É essa outra das riquezas do concelho, a forma como a população convive com a tradição e a actualidade.
![]() Somerset Maugham, o escritor inglês, disse um dia que Tomar é a cidade mais bela do mundo.
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